Trump Rejeita Proposta do Irã Sobre Reabertura de Ormuz

Trump Rejeita Proposta do Irã Sobre Reabertura de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (26) ter recusado a proposta apresentada pelo Irã para reabrir o Estreito de Ormuz dentro de sete dias, caso Washington atendesse a uma série de condições. A declaração ocorre em meio a um momento de tensão diplomática, marcado por conversas indiretas entre os dois países durante a reunião de líderes mundiais na Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Segundo veículos de comunicação iranianos, o presidente Masoud Pezeshkian já deixou Nova York após participar da assembleia geral da ONU, onde discursou em resposta às ameaças recentes de Trump de "aniquilar" a República Islâmica. Apesar do tom duro trocado entre as duas partes, Pezeshkian encerrou sua fala reafirmando que Teerã permanece aberta ao diálogo diplomático. Paralelamente, a Arábia Saudita informou ter interceptado mais um míssil, atribuindo o ataque aos houthis, grupo apoiado pelo Irã e sediado no Iêmen, o que reforça a instabilidade regional que cerca as negociações. comprar conta de tiktok monetizada

A proposta iraniana e suas condições

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que conversou com jornalistas na noite de sexta-feira (25), a proposta de Teerã previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano em sete dias. Para isso, os Estados Unidos precisariam suspender o bloqueio naval aos portos do país, revogar as sanções sobre as vendas de petróleo iraniano e observar um cessar-fogo que incluísse também o Líbano.

Araghchi detalhou que o Irã apresentou sete condições para encerrar as hostilidades e reabrir a hidrovia estratégica, entre elas:

  • Uma cessação de sete dias de todas as hostilidades no Oriente Médio, incluindo o Líbano;
  • O desbloqueio de ativos iranianos congelados, estimados em pelo menos US$ 12 bilhões (cerca de R$ 62,1 bilhões);
  • O levantamento das sanções sobre o petróleo iraniano;
  • O fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã.

Segundo o plano apresentado por Teerã, a reabertura efetiva do Estreito de Ormuz ocorreria no sétimo dia após o início da cessação das hostilidades.

A resposta de Trump e o impasse diplomático

Trump, no entanto, classificou a proposta como inaceitável. Ao conversar com jornalistas do lado de fora da Casa Branca, antes de assistir a um jogo de futebol americano universitário, o presidente americano disse acreditar que o Irã busca um acordo porque estaria "perdendo feio" no atual cenário de confronto. "Eles querem fechar um acordo e acho isso ótimo. Eu também gostaria de fechar um acordo. Mas esse acordo não seria aceitável", declarou.

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, foi efetivamente fechado pelo Irã após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país no final de fevereiro. Desde então, o número de embarcações que cruzam a hidrovia caiu de forma significativa, resultado direto das ameaças e ataques iranianos contra navios na região.

O papel da China e os próximos passos

Araghchi afirmou ainda aguardar uma resposta oficial de Washington sobre a proposta e revelou que a China manifestou apoio à iniciativa iraniana. Pequim mantém relações comerciais e diplomáticas estreitas com Teerã, o que pode conferir peso adicional às tentativas de mediação caso as negociações avancem nos próximos dias. Por ora, contudo, o impasse entre as duas potências permanece sem sinais claros de resolução, e a tensão no Oriente Médio segue como pano de fundo de qualquer avanço diplomático.